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Patife Band
Intensa, tensa e insuperável!
10/12/2009
Com influência das técnicas de composição erudita contemporânea, de onde surgem ritmos assimétricos, células atonais e séries dodecafônicas, e assumida influência do punk-rock, jazz e de ritmos brasileiros, o som nervoso da Patife Band mantém-se na vanguarda do rock.

Autor de “Tô tenso”, baseado em história em quadrinhos e parceiro do irmão Arrigo Barnabé em “Acapulco Drive In” e “Neide Manicure”, Paulo Barnabé foi um dos representantes do movimento conhecido como Vanguarda Paulistana, que se somou às inovações globais ocorridas na década de 1980, principalmente nos países mais industrializados, nas composições de gênero rock e punk-rock incorporando métodos mais rebuscados e experimentais na métrica e ritmo das músicas.

Produção independente, o primeiro disco da banda ganhou destaque em 1985 com a versão do clássico “Tijolinho”, da jovem guarda. No ano seguinte participaram da trilha sonora do filme “Cidade Oculta”, de Chico Botelho, com a música “Pregador Maldito”. Em 1987 a WEA gravou o LP agressivo, percursivo e avançado para época, “Corredor Polonês”, um marco no rock nacional, que teve suas músicas executadas em Radios Colleges, na Califórnia (EUA) e chegou a influenciar algumas bandas americanas emergentes da época. Relançado em formato de CD em 2002, pela mesma gravadora, transformou-se em uma raridade. Encontrar um exemplar atualmente é como procurar uma agulha no palheiro.

Em outro momento, mas sempre valorizando o instrumental, hoje a Patife apresenta as músicas “Vacilão”, “9/8”, entre outras, com uma nova configuração sonora que mescla timbres e instrumentos executados por Matheus Leston (sintetizador), Paulo Patife (bateria e vocal), Richard Fermino (sax tenor & barítono), Gustavo Boni (contra-baixo), André Fonseca (guitarra) e direciona o trabalho para um caminho mais ousado, sem fronteiras.
Em sua última apresentação no Cabaré Inflamável conversamos com Paulo Barnabé sobre a possibilidade de uma carreira fora do Brasil.

limonada-BIZ: Como você se sentiria num cenário musical internacional?
Paulo Barnabé:
À vontade (risos)... Conheço um pouco disso, pois há muito tempo atrás, precisamente em 82, toquei com meu irmão no Jazz-Fest de Berlim, no teatro Phillarmonie. Sei que o público da música séria lá é muito exigente e nós fomos muito bem aceitos. Bom, pensando no som que faço atualmente, acho que teria chances de me dar bem, pois trabalho muito com o lado instrumental e acredito ter também alguma originalidade na linguagem que tento desenvolver. Acho que não seria um sucesso claro, mas teria alguma expressividade visto que lá existem meios, eu quero dizer, mídia especializada e também espaços musicais como teatros, casas noturnas e universidades, pra mostrar o som. No Brasil você tem público, mas não tem essa mídia e meios pra música um pouco mais séria, se é que você me entende.

limonada-BIZ: Falta atitude empresarial aqui?
Paulo Barnabé:
Precisamente, falta muita coisa, aqui você tem que ser meio na onda do que está acontecendo. Faltam estruturas como temporadas em teatros. Mesmo no cenário alternativo, casas noturnas, não existe a mentalidade empresarial para uma linguagem mais ousada. Os produtores musicais não são tão exigentes, eles querem ter casa cheia com bandas que dão certo ou ter status com qualquer coisa que uma certa mídia promove. É difícil ver aqui um cara que seja dono de casa noturna ou teatro botando fé em coisas novas ou sérias, sem badalação e oba-oba. As pessoas querem sair de casa não somente para se divertirem e badalar.

Se você faz parte desse time que procura algo além de diversão, e gosta de bandas com propostas ousadas, corra! Ainda dá tempo de ver a Patife Band esse ano no Cabaré Inflamável.

Para saber mais sobre a banda e ouvir suas músicas acesse a página da Patife Band no MySpace (www.myspace.com/patifeband)
SERVIÇO
Show: Patife Band

Quando: 18 de dezembro, às 21h
Local: Cabaré Inflamável
Rua Maria Borba, 87 (travessa da Cesario Motta Jr., a uma quadra do Sesc Consolação)
Consolação – São Paulo – SP
Tel. 11 2533-8543

Fotos: Edson Kusamaka
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